segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Faxina






Sempre ouço dizer que bolsa de mulher é uma loucura, tamanha bagunça. E é mesmo. Na minha bolsa eu deixo acumular nota fiscal de tudo o que vocês possam imaginar, aqueles malditos papeizinhos de cartão, extrato bancário, papel que distribuem na rua, sem falar de remédio para dor, batom, uns dois livros, carteira, celular e outros papéis que sinceramente nem sei mais do que se trata.

Bolsa cheia de coisa inútil é fichinha comparada ao coração de uma mulher e o tanto de entulho que carregamos nele geralmente sem perceber, pois acostumamos com o peso da saudade, da dor de cotovelo, da mágoa, da decepção, dentre mil coisas... A vida é corrida e mulheres têm que ser mães, profissionais de excelência, amigas, conselheiras e trocentas outras funções. Deve ser por isso que os dias vão passando e nem nos damos conta da quantidade de sentimentos e lembranças inúteis que deixamos pesar em nosso coração. Geralmente, só percebemos a entulhada quando algo nos chateia e aí paramos para refletir e xingar muito a pessoa que nos chateou , então vem tudo à tona e de forma inconsciente misturaramos a chateação de agora com aquele calo que nem melhorou e mesmo assim calçamos um salto alto a fim de disfarçar e aí dóóóói que é uma coisa e só nós sabemos o quanto. Foi exatamete assim que me ocorreu um dia desses. E não teve jeito, eu disse para mim mesma: Que comece a faxina!

Estou juntando tudo o que é inútil, o que me atrasa e machuca. Vai ficar um brinco, como diria a minha avó. Depois é só cuidar para que bagunça, eu só carregue mesmo dentro da minha bolsa.

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